
Daniel Day-Lewis & Madeleine Stowe, The Last of the Mohicans, 1992
Para: V.P.
A semana que se seguiu ao nosso “adeus” foi uma das mais atarefadas da minha vida. Mesmo quando ia para a cama, era apenas meu corpo que se deitava e repousava; minha mente continuava resolvendo as coisas, reconsiderando-as, discutindo-as, duvidando, decidindo, tentando lembrar onde…
Enterrar um coração no peito não é tarefa das mais agradáveis, lembro que em um delírio alcoólico naquela semana, escrevi com caneta piloto um epitáfio imaginário para a lápide em que meu peito havia se transformado: “Aqui jaz quem daqui tanto escapou, Que só agora não escape mais”.
Não posso dizer que o amei, pois ainda desconheço o significado desse verbo tão inescrupuloso quanto o amor, mas eu amei tudo o que diz respeito a você, e ainda amo, profundamente.
Amava seu sorriso, seus olhos claros que mesmo quando escureciam me lembravam a beleza de uma noite plena e não a escuridão do vazio. Amava sua risada de menino, suas brincadeiras, principalmente as que me ofendiam carinhosamente, “Chubby”, “anta”, entre tantas outras coisas que eram apenas nossas e que me lembro perfeitamente, nitidamente, como olhar a paisagem de forma crua, sem lentes.
Amava sua beleza, e ainda hoje quando penso em um homem belo, quando preciso me inspirar para escrever, para voltar a amar, é seu rosto que minha mente automaticamente emoldura.
Não falei mais de você para ninguém, você se tornou um assunto só meu, particular, uma lembrança acolhedora para os tempos em que eu não conseguisse disfarçar minha solidão patológica. Nesses momentos eu uso aquilo que me resta de criatividade para conversar com você, com o “você” que ainda esta guardado dentro de mim, imagino suas respostas, mesmo que na época em que eu ainda podia ouvi-las de seus próprios lábios reais, eu jamais conseguisse imaginá-las, ou compreende-las.
Apaguei aquele mês tenebroso da minha existência, apaguei o adeus, apaguei a falta de tato, de comunicação, as paredes ruindo ao nosso redor, mesmo que geograficamente estivéssemos um pouco distantes, nossos corações conflitantes eram extremamente próximos, e sofriam pelas mesmas enfermidades.
Éramos jovens sadios em uma realidade doente. Fugíamos um para dentro do outro, nos dávamos abrigo, afastávamos o inverno que se iniciara, transformávamos água, trigo e fogo em pão. Era mágico.
Até o dia em que tudo se perdeu, nunca afastei de mim a culpa, pois fui eu que me perdi primeiro, não sabia lidar com o sentimento, não demonstrá-lo, oferecia em conta-gotas um oceano que guardava pra você, não queria afogá-lo, mas o perdi.
No principio achei que fosse meu orgulho, meu ego descontrolado o vilão, mas não era. Não tinha orgulho pra me defender de você, acho que no fundo eu tinha medo de não conseguir ser apenas “um amigo”, mesmo que nunca tivesse deixado de ser para ser outra coisa, essa parte da história eu não entendia e não conseguia te explicar na época, muito menos agora.
Não sei porque escrevo isso agora, sete meses depois de tudo ter acontecido, não sei mesmo, pedi que se afastasse e atendi seu pedido de afastamento, apesar de ainda não acreditar que nós dois realmente quiséssemos isso.
Só acho que não te disse ainda, que é um dos homens mais incríveis que conheci e perdi.
Gostaria de ter novidades incríveis para lhe contar, mas a verdade é que pouca coisa mudou nesses sete meses além de mim mesmo. Meus pais não se divorciaram, mas eu saí de casa e moro sozinho desde aquele mês terrível, aquela casa que você conheceu desabou (literalmente) nas chuvas que ocorreram em novembro, ninguém se feriu e meus pais se mudaram para uma melhor, onde poderia oferecer uma festa ainda melhor, mas desta vez você não viria, por isso não houve festa, parei de beber Steinhaeger, continuo fumando, gordinho, etc, aquela menina linda que estava na festa no dia em que veio em casa, e que me ajudou a escolher uma roupa bonita para recebê-lo, copiou seu pendrive no meu notebook e nomeu sua pasta de “boymagia” possibilitando que eu escutasse você ainda hoje, faleceu repentinamente em dezembro, queria muito dividir isso com você, mas de certa forma dividi, com o você que ainda esta aqui do meu lado, me observando escrever tudo isso e me chamando de emo, entre outras coisas.
Sei lá o que houve naquela época, nos perdemos.
Espero que leia isso, espero que esteja muito bem, seu último ano na faculdade, só queria que soubesse algo que não sei explicar bem o que…
Queria que soubesse que amei, e continuo amando tudo o que diz respeito à você…
O mais sincero possível.
Roberto Rodríguez. (Temata Ray)
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(via tolltrollland)
Whitney Houston way of life…
(via tolltrollland)
Let’s just celebrate evan peters shirtless
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(via notonprozac)
Ramona way of life!
(via bananasandnuts)











